terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ritual

Todo dia tem de terminar assim? Só, nesse quarto pequeno, nessa cama desforrada?
Esqueço de toda singularidade das horas anteriores e escolho sofrer o ardor do meu próprio silêncio. Toda dor silencia.
Tudo é silêncio, para que, no dia seguinte, logo ao amanhecer, deite sobre o meu corpo, o som que eu escolher. O som que eu eleger como som do meu dia! E dessa forma, quebrando o desagradável companheiro, eu possa acordar e - verdadeiramente - acordar.
Recomeçar todo o ritual: Viver, sorrir, amar, cansar, silenciar... relembrar!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Toda noite tem platéia.

A sinfônica toca uma música estranha, descompassada... o Maestro não quer ouvir mais, não quer tentar corrigir. Não há como corrigir. Foram noites e noites seguidas tocando a mesma canção, desafinando nos mesmos acordes, errando o tempo da execução. O show ficou triste! A coluna dói, os brações também e tudo é reflexo da dor interna, que, numa violenta revolta, transpassa o espaço espiritual e mostra-se no corpo. Mostra-se no rosto, mostra-se no resto.
O espetáculo é descontínuo, mas não vai parar. Toda noite tem platéia. Toda noite tem show. Todo dia tem dor. Todo dia tem choro!
O Maestro quer descansar!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um par de um

Eu gosto de começar narrativas com um "É como se fosse".
É ingênuo, é esperançoso, é como se algo - verdadeiramente - fosse mudar.
E ás vezes...
É como se fosse uma manhã de outono britânico, um café na calçada, folhas caindo,
duas cadeiras, duas xícaras, tudo num par.
Um par de um.
É uma pena meu outono britânico tardar tanto a chegar.
É uma espera interminável
É como se sempre houvesse uma xícara,
uma cadeira
Um par de um.
Um triste par de um
É como se fosse impossível.

e talvez seja.

sábado, 12 de novembro de 2011

Oasis


Era sonho sem esperança
Vontade sem esforço
Amor sem paixão.
Era oasis distante no deserto interminável.
Ás vezes não era nada.
Algo novo virá.

Deixa chegar o sonho/ prepara uma avenida/ Que a gente vai passar.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sublimar

A imagem se desfaz. 
Talvez não seja pela mudança dela, mas sim pelas palavras, pelos olhares, pela recusa de admitir ter sido bom. É como se fosse uma sublimação forçada desse sentimento ruim. E, que, talvez, não seja tão ruim.
A constatação da não mais existência desse amor romântico dói. É incomensurável.
É como desconstruir o único porto que eu frequentava. Fazer o mar desandar.
Já que falei em dor... É sentimento único, é sentimento meu. Sentimento que não povoa você, sentimento que não te assola.
Tá tudo tão chato, homem. Tá tudo tão confuso.
A vida fica assim sem você.

"Talvez eu deva ser forte, pedir ao mar por mais sorte e aprender a navegar."

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Calmaria pós-moderna

Buzina.
Vendedor ambulante.
Fone de ouvido.
Marcelo cantando, cantando e cantando.
O motor.
O pedinte.
Inerte, sentado no lugar individualista
Tentando achar algúm desprendimento.
Tentando manter essa preguiça aparente.

sábado, 22 de outubro de 2011

Pra te amar

Escrevo esses textos pobres pra te amar.
Ando do seu jeito pra te amar
Falo a sua língua pra te amar
Te ouço pra saber reproduzir sua vontade com exatidão
E veja, tudo isso é somente pra te amar.

Me nego pra poder te amar
Renego a todo desejo pra poder te amar
E ate amo outros...
Mas acredite, é um motivo a mais pra te amar.

Tenho toda a vida.
Toda a eternidade
Todas as possibilidades das palavras,
Todos os gestos...
E sempre será pr'eu te amar.